Causos de um bandido santo
Por Joyce Gomes
João de Santo Cristo, personagem criado por Renato Russo, figura no imaginário popular como um “bandido santo”, um tipo de criminoso que recebe o perdão e a admiração de sua comunidade ao corajosamente enfrentar um Estado injusto, que descuida da população menos favorecida. Em aparente defesa dos mais frágeis, criminosos transcendem as sangrentas páginas dos cadernos policiais, entrando de vez para a história. Essa “marginalidade heróica”, denominada pelo historiador britânico Eric Hobsbawm de “banditismo social”, serve como objeto de estudo à psicologia, à sociologia, à literatura ou à arte, tendo sido, inclusive, tema do artista-plástico Hélio Oiticica: “Seja marginal, seja herói”.
Nos anos 80, Edmilson Santana Lima, o Gregorinho, tornou-se o mais emblemático “bandido santo” do cerrado, ganhando do jornalista Mário Eugênio, apresentador do programa de rádio O Gogó das Sete, o apelido de Fera da Ceilândia. No começo, Gregorinho, que fez parte das invasões transferidas para Ceilândia, só realizava um furto ou outro. Ainda assim, o nome estampado nas páginas policiais lhe conferiu fama por todos os bairros da Ceilândia, onde realmente desfilava como o maioral.
O cordelista e pioneiro da Ceilândia, Joaquim da Nóbrega, de 58 anos, era vizinho da namorada de Gregorinho e não esquece a imagem do bandido. “Ele tinha uns 25 anos. Era magro, moreno claro, tinha o cabelo liso. Media seus 1,70m. Usava calça jeans, camiseta, e, faça frio ou calor, uma jaqueta jeans com dois bolsos em que vivia com as mãos para guardar os dois 38 cheios de bala”.
O problema é que Gregorinho “dançou e pro inferno ele foi pela primeira vez”. Na prisão, experimentou “violência e estupro do seu corpo”, e, ao sair, jurou vingança, tal como João de Santo Cristo. Segundo Seu Joaquim, Gregorinho, em entrevista aos jornais da época, ameaçou: “Fui preso inocente, agora vou ser preso devendo”.
Parece que desde então, Ceilândia virou um Faroeste Caboclo e Gregorinho o “bandido destemido e temido no Distrito Federal”. A história de Gregorinho ficou conhecida em quase toda a cidade, principalmente pelos moradores mais antigos, e o que se diz é que o Fera da Ceilândia “não tinha nenhum medo de polícia, capitão ou traficante, playboy ou general”.
Não era nem cinco da tarde e Seu Joaquim já via gente lavando os sinais de sangue do chão. Gregorinho não precisava das estrelas cadentes do Planalto Central para dar as caras. Gostava de agir no barulho do dia. O comum, ou o fraco na linguagem do cordelista, era parar em um bar e colocar o revólver no ouvido de um azarado qualquer e perguntar: “faz fé em mim ou não faz?”. Quem não tinha fé no senhor das armas, no homem das rezas, no terror da 15ª DP, na versão real de João de Santo Cristo de Renato Russo, não merecia viver. E puxava o gatilho.
A polícia ensaiava inúmeras caçadas ao bandido pela Ceilândia, muitas delas cinematográficas, com direito à helicóptero e tiroteios. Gregorinho, porém, além de rápido era criativo e sempre escapava. “Certa vez, ele entrou fugido na casa da namorada e saiu vestido de mulher com uma peruca loura”, conta Joaquim. “A polícia ainda aconselhou a loura: Corre que o Gregorinho está aqui!”. Noutra vez o Fera fez uma passagem relâmpago pelo lote QNM7 de Seu Joaquim, pulando o muro de placa pré-moldada e escapando da bala que lhe alvejaram. Ficou o buraco da bala, que errou o alvo, e a lembrança vívida do cordelista. “Em casa estava eu, mãe, pai e… Geraldo você estava?”, pergunta Joaquim ao irmão mais novo. “De baixo da cama, que eu tinha medo”, responde Geraldo, de 39 anos, mais do que depressa.
Certa vez Gregorinho se refugiou no Hospital Regional de Taguatinga e travou um tiroteio com a polícia. “Até os doentes caíram das camas para se salvarem”, conta Joaquim sério. Pacientes no chão e Gregorinho, mais uma vez, livre.
Tem gente que até hoje carrega a marca do Fera da Ceilândia. O primo de Joaquim é um. Gregorinho estava correndo da polícia quando notou Nascimento contando dinheiro para fechar o caixa da frutaria. Aí já viu! Podia ter patrulha, helicóptero, esquadrão da morte perseguindo-o, que, ainda assim, Gregorinho resolveu dar uma pausa na corrida. Nascimento, porém, resistiu ao assalto e ficou com a sina de abrigar duas balas nas costas até hoje, como lembrança do Fera.
A liberdade do bandido, entretanto, não podia durar para sempre. Tardou, mas Gregorinho finalmente foi levado ao Complexo Penitenciário da Papuda pela segunda vez – agora, “devendo”. Na tentativa de fuga, não conseguiu escapar. Foi caçado e, enfim, a polícia acertou a mira, derramando o sangue de Gregorinho.
O criminoso, depois de morto, virou mito em Ceilândia. No enterro, uma comoção. O povo sentiu a morte do herói marginal Gregorinho, e viveu a mistura paradoxal de “sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que (…) era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo”, pegando emprestadas as palavras de Clarice Lispector da crônica “Mineirinho”, sobre o bandido morto com 13 tiros pela polícia carioca em 1962 – outro dos muitos “bandidos santos” que povoam o imaginário e a história do Brasil. Agora fica a suspeita de que Renato Russo também balançou diante do Fera, e como resultado, permitiu-se inventar João de Santo Cristo.
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Comentários
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Carlos A.D. Bispo06.05.2012
Sou Primo do Gregorinho convivemos na mesma casa ele era ser humano de uma bondade imesa,infelizmente foi induzido pela as autoridades deste pais a seguir outro rumo na vida ,gostaria que as lembranças dele não fosse esta de bandido e sim de jovem amigo de todos bondoso e inteligente como eu o conheci.
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Emerson Neves17.08.2011
Quando ouvi essa música pela 1ª vez pensei…Nossa!!! A estória ja está pronta com começo meio e fim….Quando será que vão fazer um filme hein???? Isso em 1987 e eu tinha apenas 14 anos…
Duirante muito tempo pensei até no elenco e na minha imaginação ficaria perfeito:João de Santo Cristo – Marcos Palmeira
Jeremias – José Abreu ou Herson Capri
Maria lúcia – Cristiana Oliveira ou Giovanna Antonelli
Padre da Igreja – Lima Duarte ou Elias Gleiser
Boiadeiro – Antonio Pitanga
Pablo – André GonçalvesEnfim, viajava direto. Finalmente e espero que fique muito bom, aliás não aceito nada menos que perfeito senão…
Grande abraço a todos
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Trevon30.07.2011http://www.bing.com/
I bow down hmulby in the presence of such greatness.
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Taran29.07.2011http://www.yahoo.com/
Woah nelly, how about them appels!
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richard22.05.2011
Para que fazer filme ou especial de bandido? Voce gostaria de ver um filme sobre o osama bin laden?
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Filho da mae que acabou com a vida de muita gente! Esse gregorinho a unica
Coisa boa que deixou foi a historia pro renato fazer a
Musica faroeste caboclo. Relembrar marginal so serve para dar motivacao
Para bandido novo. Fala serio!! -
WENDELL27.04.2011
OLÁ! ESSE AI FOI O MEU TIO “GREGORINHO” , INFELIZMENTE NAO O CONHECI , MAS MINHAS TIAS MINHA MAE E MEU TIO ELES FALAM MUITO SOBRE COMO FOI A DELE.ACHO Q A HISTÓRIA DELE MERECIA UM FILME , E O CABELO DELE NAO ERA LISO , ERA ENCARACOLADO.
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WENDELL27.04.2011
OLÁ!! ME CHAMO WENDELL , SOU SOBRINHO DO FAMOSO “GREGORINHO”, QUERIA TER O CONHECIDO , MINHA MAE , TIAS E MEU TIO , FALAM MUITO SOBRE ELE, ACHO Q DEVERIAM FAZER UM FILME SOBRE A HISTÓRIA DELE , E TAMBEM APENAS MINHA TIA (CLÉO SANTANA) TEM UMA FOTO DELE, E ELE NAO TINHA CABELO LISO , ERAM ECARACOLADOS , OBRIGADO POR MOSTRAR ALGUMA COISA SOBRE A VIDA DELE,meu email esta ai!!! para qualquer interesse em contato conosoco(familia) de EDMILSON SANTANA LIMA.
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